Fotografia da Semana 2012

31 de Dezembro de 2012

Rastos rodopiantes de estrelas austrais por cima do ALMA

Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, capturou as antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sob o céu austral, numa imagem de cortar a respiração.

As espirais das estrelas no céu fazem lembrar a Noite Estrelada de van Gogh ou, para os fãs de ficção científica, talvez a vista de uma nave espacial prestes a entrar no hiperespaço. Na realidade, trata-se da rotação da Terra, revelada nesta fotografia de longa exposição. No hemisfério sul, à medida que a Terra roda, as estrelas parecem mover-se em círculos, em torno do polo sul celeste, que se encontra na ténue constelação do Octante, entre o mais famoso Cruzeiro do Sul e as Nuvens de Magalhães. Com uma exposição suficientemente longa, as estrelas, à medida que se movem, deixam no céu rastos circulares.

A fotografia foi tirada no Planalto do Chajnantor, a uma altitude de 5000 metros, nos Andes chilenos. É neste local que se encontra o telescópio ALMA, cujas antenas podem ser vistas em primeiro plano. O ALMA é o telescópio mais poderoso que existe para observar o Universo frio - gás molecular e poeira, assim como radiação residual originada no Big Bang. Quando estiver completo em 2013, o ALMA contará com 54 antenas de 12 metros de diâmetro e 12 antenas de 7 metros. No entanto, as observações científicas preliminares começaram já em 2011. Embora não se encontre ainda completamente construído, o telescópio está já a produzir resultados excepcionais, ultrapassando largamente outros telescópios do seu tipo. Algumas das antenas vêem-se desfocadas na imagem, porque estavam a operar e se moveram durante a exposição prolongada.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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24 de Dezembro de 2012

A solidão do ALMA

Esta imagem panorâmica do planalto do Chajnantor mostra o local do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). A fotografia foi tirada próximo do pico do Cerro Chico por Babak Tafreshi, um Embaixador Fotográfico do ESO, que conseguiu capturar a atmosfera solitária do local onde se situa o ALMA, 5000 metros acima do nível do mar, nos Andes chilenos. Luz e sombra pintam a paisagem, emprestando uma aparência extraterrestre ao terreno. No primeiro plano da imagem, o grupo de antenas ALMA aparece-nos como se de uma multidão de estranhos visitantes robóticos se tratasse. Quando o telescópio estiver completo em 2013, contará com um total de 66 antenas na rede, que operarão em conjunto.

O ALMA está já a revolucionar o modo como os astrónomos estudam o Universo nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. Mesmo com uma rede parcial de antenas, o ALMA é já mais potente do que qualquer outro telescópio a operar nestes comprimentos de onda, dando ao astrónomos uma capacidade sem precedentes de estudar o Universo frio -  gás molecular e poeira, assim como radiação residual originada no Big Bang. O ALMA estuda os blocos constituintes de estrelas, sistemas planetários, galáxias e da própria vida. Ao fornecer ao astrónomos imagens detalhadas de estrelas e planetas a nascer em nuvens moleculares próximas do Sistema Solar, e ao detectar galáxias distantes a formarem-se nos limites do Universo observável, que vemos como eram há mais ou menos dez mil milhões de anos atrás, o ALMA abre aos astrónomos uma janela única para a compreensão das mais profundas questões ligadas às nossas origens cósmicas.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.


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17 de Dezembro de 2012

O Paranal e a sombra da Terra

O Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi tirou outra bela fotografia panorâmica do Observatório do Paranal do ESO.

Em primeiro plano, podemos ver a paisagem montanhosa do deserto do Atacama. À esquerda, no pico mais alto, encontra-se o Very Large Telescope do ESO (VLT) e à sua frente, sobre um pico ligeiramente mais baixo, está o telescópio VISTA (sigla do inglês para Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy).

No fundo, o nascer do Sol dá cor ao céu do Paranal em bonitos tons pastel. Estendendo-se para lá do horizonte, podemos ver um mar de nuvens sobre o Oceano Pacífico, o qual se encontra a apenas 12 quilómetros do Paranal.

Por cima do horizonte, onde as nuvens se juntam ao céu, é visível uma banda escura. Esta banda é a sombra da Terra, lançada pelo planeta sobre a sua atmosfera. Este fenómeno é por vezes observado na altura do nascer e do pôr do Sol, quando o céu está limpo e o horizonte desobstruído - condições que existem claramente no Observatório do Paranal. Por cima da sombra da Terra, vemos ainda um brilho cor de rosa, conhecido como a Cintura de Vénus. É causado pela luz do nascer (neste caso) ou do pôr do Sol, dispersada pela atmosfera terrestre.

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10 de Dezembro de 2012

As estrelas riscam o céu por cima das nossas cabeças

Embora esta imagem pareça, à primeira vista, arte moderna abstracta, o facto é que se trata do resultado de uma exposição longa do céu nocturno no Planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos. À medida que a Terra roda em direção a um novo dia, as estrelas da Via Láctea, por cima do deserto, esticam-se em traços coloridos. Ao mesmo tempo, o telescópio de vanguarda que se vê em primeiro plano, toma uma realidade de sonho.

Esta fotografia fascinante foi tirada a 5000 metros acima do nível do mar no Planalto do Chajnantor, local onde se encontra o telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX), que pode ser visto aqui. O APEX é um telescópio de 12 metros que colecta radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos utilizam o APEX para estudar objetos que vão desde as nuvens frias de gás e poeira cósmica onde novas estrelas se estão a formar, a algumas das galáxias mais distantes e primitivas do Universo.

O APEX é o percursor do ALMA, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, um novo telescópio revolucionário que o ESO, juntamente com os seus parceiros internacionais, está a construir e a operar também no planalto do Chajnantor. Quando estiver completo em 2013, o ALMA contará com uma rede 54 antenas de 12 metros de diâmetro e 12 antenas adicionais de 7 metros de diâmetro cada uma. Os dois telescópios são complementares: graças ao seu campo de visão maior, o APEX pode encontrar muitos alvos ao longo de grandes áreas no céu, enquanto o ALMA os poderá estudar com grande detalhe, devido à sua muito melhor resolução angular. O APEX e o ALMA são ambos ferramentas importantes que ajudam os astrónomos a descobrir mais sobre o funcionamento do Universo, tal como a formação das estrelas que se vêem na imagem, a rodar por cima da nossa cabeça.

O Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tafreshi tirou esta fotografia. Babak é o fundador de O Mundo à Noite, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais mais bonitos e históricos da Terra, sob um fundo nocturno de estrelas, planetas e eventos celestes.

O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO. 


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3 de Dezembro de 2012

Do Antu ao Yepun - A construção do VLT

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

O Very Large Telescope (VLT), a infraestrutura de referência do ESO situada no Cerro Paranal, Chile, é constituída por quatro Telescópios gigantes, cada um deles com um espelho primário de 8.2 metros de diâmetro, e por quatro telescópios amovíveis de 1.8 metros, os Telescópios Auxiliares. O nosso par de fotografias deste mês mostra um dos telescópios gigantes a ser construído e outro já construído, atualmente.

A fotografia histórica mostra o trabalho inicial de construção da cobertura do Telescópio 1, no final de outubro de 1995. As fundações de betão estavam terminadas e a parte inferior da estrutura de metal da cobertura estava já fixada às fundações. As primeiras peças da zona de rotação da cobertura do telescópio também já são visíveis - o príncipio de uma fenda larga pela qual o telescópio iria observar e a estrutura pesada, horizontal, que suportaria as portas de correr, pode também ser vista na direção da câmara. Este telescópio começou a observar a 25 de maio de 1998 (ver eso9820).

Durante a cerimónia de inauguração do Observatório do Paranal em 1999 (ver eso9921), deu-se a cada um dos telescópios um nome na língua da tribo nativa Mapuche. Os nomes - Antu, Kueyen, Melipal e Yepun - correspondem a quatro objetos proeminentes no céu: o Sol, a Lua, a constelação do Cruzeiro do Sul e Vénus [1], respectivamente.

A fotografia atual mostra o 4º Telescópio, Yepun, que começou a observar em setembro de 2000 (ver eso0028). No entanto, serve tão bem como o seu irmão Antu (Telescópio 1) para mostrar o VLT completamente construído, já que todos os telescópios são exactamente iguais, apenas diferindo no tipo de instrumentos disponíveis em cada um deles, o que dá aos astrónomos uma enorme quantidade de ferramentas para estudar o Universo. A estrutura amarela em frente ao Yepun é uma plataforma de elevação, M1, que pode deslocar-se entre os diferentes telescópios e é utilizada quando os enormes espelhos primários de 8.2 metros são periodicamente removidos para serem
revestidos de novo.

Nos anos que passaram desde que a fotografia histórica foi tirada, o primeiro dos telescópios ganhou um nome - Antu - e uma família, à medida que os outros telescópios se lhe juntaram no topo da montanha. Hoje, o VLT é o telescópio astronómico visível mais avançado do mundo, e o Antu, Yepun e os outros telescópios do Paranal desempenharam um papel determinante em tornar o ESO de longe no observatório terrestre mais produtivo do mundo!

Notas

[1] Yepun tinha sido traduzido como "Sirius" da altura da inauguração do Paranal (eso0921), no entanto, descobriu-se posteriormente que a tradução correcta é "Vénus".

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26 de Novembro de 2012

Dois caçadores de planetas capturados em La Silla

Durante séculos, filósofos e cientistas especularam sobre a possibilidade da existência de planetas habitados fora do Sistema Solar. Hoje, esta ideia é mais do que especulação: foram descobertas muitas centenas de exoplanetas nas últimas duas décadas, por astrónomos em todo o mundo. Várias técnicas diferentes são utilizadas nesta busca de novos mundos. Nesta fotografia invulgar dois telescópios, que usam dois destes métodos, foram capturados na mesma imagem: o telescópio de 3.6 metros do ESO, onde se encontra montado o espectrógrafo HARPS e o telescópio espacial CoRoT. A imagem foi obtida por Alexandre Santerne, um astrónomo que estuda exoplanetas.

O espectrógrafo High Accuracy Radial velocity Planetary Search (HARPS), o descobridor de planetas mais proeminente do mundo, é um instrumento que se encontra instalado no telescópio de 3.6 metros do ESO. Podemos ver a cúpula aberta deste telescópio, à esquerda na imagem, que aparece por trás da cobertura angular do New Technology Telescope. O HARPS descobre exoplanetas ao detectar pequenas variações no movimento de uma estrela, à medida que esta se desloca ligeiramente para trás e para diante sob o efeito da atração gravitacional do planeta em sua órbita: é o chamado método das velocidades radiais na procura de exoplanetas.

O ténue traço de luz que se vê alto no céu nesta exposição de 20 segundos, não é um meteoro mas sim o telescópio espacial CoRoT (sigla do inglês Convection Rotation and planetary Transits). O CoRoT procura planetas ao observar o decréscimo da radiação emitida por uma estrela, que ocorre quando um planeta passa na sua frente - método do trânsito. A localização do telescópio espacial, situado acima da atmosfera terrestre, aumenta a precisão das observações ao remover o piscar das estrelas. Planetas potenciais encontrados pelo método do trânsito são seguidamente confirmados com o auxílio de técnicas complementares, tais como o método das velocidades radiais. De facto, na noite em que esta fotografia foi tirada, o HARPS estava a ser utilizado para seguir candidatos a exoplanetas detectados pelo CoRoT.

Em novembro de 2012, o CoRoT teve um problema no computador, com a consequência de que, embora se encontre operacional, não há maneira de aceder aos dados do telescópio (ver as notícias da página da internet do CoRoT, ou por exemplo este artigo de notícias da Nature). A equipa CoRoT ainda não desistiu do telescópio, encontrando-se no momento a tentar reavivar o sistema. Quer se consiga ou não, o facto é que a missão CoRoT foi já um grande sucesso! A sonda duplicou o seu tempo de vida inicialmente planeado, e foi a primeira sonda a descobrir um exoplaneta pelo método do trânsito. O CoRoT contribuiu de forma significativa, tanto na procura de exoplanetas como no estudo do interior das estrelas por astrosismologia.

A busca de exoplanetas ajuda-nos a compreender o nosso próprio sistema planetário e pode bem ser o primeiro passo na procura de vida para além da Terra. O HARPS e o CoRoT são apenas dois dos muitos instrumentos desenvolvidos para ajudar os astrónomos nesta procura.

O Alexandre submeteu esta fotografia ao grupo Flick As Vossas fotografias ESO. O grupo Flick é revisto regularmente e as melhores fotos são seleccionadas para serem publicadas na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria. Em 2012, e no âmbito do 50º Aniversário do ESO que se celebra este ano, também aceitamos de bom grado as vossas imagens históricas relacionadas com o ESO. Desde que submeteu esta fotografia, o Alexandre tornou-se também um Embaixador Fotográfico do ESO.

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19 de Novembro de 2012

Os companheiros gelados do APEX

O telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX) - capturado nesta bela imagem obtida pelo Embaixador Fotográfico do ESO Babak Tafreshi - é uma das ferramentas utilizadas pelo ESO para espreitar para lá do reino da luz visível. Situa-se no Planalto do Chajnantor a uma altitude de 5000 metros.

Podemos observar grupos de penitentes brancos no primeiro plano da fotografia. Os penitentes são um interessante fenómeno natural, que se observa em regiões de elevada altitude, tipicamente a mais de 4000 metros acima do nível do mar. São finos picos de neve endurecida ou gelo, que apontam na direção do Sol, atingindo alturas que podem ir de alguns centímetros até vários metros.

O APEX é um telescópio de 12 metros que observa radiação nos comprimentos de onda do milímetro e submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis a comprimentos de onda mais curtos. O telescópio permite-lhes estudar nuvens moleculares - as densas regiões de gás e poeira cósmica onde novas estrelas se estão a formar - que se encontram escuras e obscurecidas pela poeira no visível ou no infravermelho, mas que brilham intensamente a estes comprimentos de onda relativamente longos. Os astrónomos usam esta radiação para estudar as condições químicas e físicas nestas nuvens. Este intervalo de comprimentos de onda é também ideal para o estudo de algumas das galáxias mais longínquas e primordiais do Universo.

Visível apenas no céu nocturno por cima e à esquerda do APEX, podemos ver as ténues manchas correspondentes à Pequena e Grande Nuvens de Magalhães, respectivamente, galáxias vizinhas da nossa Via Láctea. O plano da Via Láctea propriamente dito pode ser visto como uma banda difusa que atravessa o céu, mais proeminente sobre o edifício de controle do APEX, situado à direita. As manchas escuras nesta banda correspondem a regiões onde a radiação emitida por estrelas distantes é bloqueada pela poeira interestelar. Escondido por trás destas zonas escuras de poeira, o centro da Via Láctea encontra-se a cerca de 27 000 anos-luz de distância. Os telescópios tais como o APEX são uma ferramenta crucial para que os astrónomos possam espreitar para além da poeira e estudarem o centro da nossa galáxia com todo o detalhe.
O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

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12 de Novembro de 2012

Uma imagem, muitas histórias

O Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi, capturou esta bela imagem do céu por cima do Observatório do Paranal do ESO, juntamente com um tesouro de objetos do céu profundo.

O mais proeminente destes objetos é a Nebulosa Carina, que brilha intensamente a vermelho no meio da imagem. A Nebulosa Carina situa-se na constelação de Carina, a cerca de 7500 anos-luz de distância. Esta nuvem de gás e poeira brilhante é a nebulosa mais brilhante do céu e contém várias das estrelas mais brilhantes e de maior massa conhecidas na Via Láctea como, por exemplo, a Eta Carinae. A Nebulosa Carina é uma amostra perfeita que os astrónomos usam para descobrir os mistérios da formação e morte violentas das estrelas de grande massa. Para algumas imagens bonitas e recentes da Nebulosa Carina obtidas pelo ESO, veja eso1208, eso1145 e eso1031.

Por baixo da Nebulosa Carina, podemos observar o Enxame Fonte dos Desejos (NGC 3532). Este enxame aberto de estrelas jovens obteve este nome porque, visto através da ocular de um telescópio, parece-se com um punhado de moedas prateadas a cintilar no fundo de uma fonte de desejos. Mais à direita, encontramos a Nebulosa Lambda Centauri (IC 2944), uma nuvem de hidrogénio brilhante e estrelas recém nascidas, também chamada a Nebulosa da Galinha Fugitiva, devido à forma de pássaro que algumas pessoas vêem na sua região mais brilhante (ver eso1135). Por cima e ligeiramente à esquerda desta nebulosa, temos as Pleiades Austrais (IC 2632), um enxame estelar aberto semelhante ao seu homónimo setentrional mais familiar.

Em primeiro plano, podemos ver três dos quatro Telescópios Auxiliares (ATs, sigla do inglês) do Interferómetro do Very Large Telescope (VLTI). Usando o VLTI, os ATs - ou os telescópios individuais de 8.2 metros do VLT - podem ser utilizados em conjunto como se de um único telescópio gigante se tratassem, o qual pode observar com muito mais detalhe do que o que seria possível com os telescópios individuais. O VLTI foi já utilizado numa enorme quantidade de trabalhos, incluindo o estudo de discos circunstelares em torno de estrelas jovens e o estudo de núcleos activos de galáxias, um dos fenómenos mais energéticos e misteriosos do Universo.

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5 de Novembro de 2012

Construindo a Residência Paranal - Da turbulência à tranquilidade

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

No par de fotografias deste mês, tiradas no Observatório do Paranal do ESO, no deserto do Atacama no Chile, comparamos um local de construção, tal com era em novembro de 1999, com o resultado final atual: o edifício do observatório onde reside o pessoal, conhecido como a Residência Paranal. Imagine a diferença de antes para agora: o ressoar dos martelos e das perfuradoras, assim como o barulho dos tratores e dos guindastes deram lugar à calma pacífica de um edifício no deserto, que complementa os arredores na perfeição. Construído com materiais e cores naturais e aninhado numa depressão natural existente no solo, o edifício enquadra-se perfeitamente na paisagem circundante.

A Residência foi construída como um refúgio para os astrónomos e outro pessoal que trabalha num dos locais mais inóspitos do planeta, onde uma seca extrema, intensa radiação ultravioleta do Sol, ventos fortes e altitude elevada fazem parte do dia-a-dia. Os construtores da Residência, trabalhando igualmente nestas condições difíceis, criaram no deserto um oásis muito apreciado pelo pessoal do Observatório e o edifício terminado é um testemunho vivo ao seu trabalho árduo. A Residência, que ganhou diversos prémios, possui mais de 100 quartos, assim como um número de espaços comuns, que incluem cantina, sala de estar, piscina, centro de fitness e biblioteca. Tem uma vista espetacular a partir da façada oeste para o deserto na direção do Oceano Pacífico e do pôr do Sol.

Existe outra particularidade que pode ser observada em ambas as fotografias: por trás da Residência, 2600 metros acima do nível do mar, no topo do Cerro Paranal, encontra-se o Very Large Telescope do ESO (VLT). É o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo e a razão pela qual a Residência e todos os que estão no seu interior, se encontram aqui!

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29 de Outubro de 2012

Um lugar para desvendar os mistérios do Universo frio

Esta bela panorâmica, obtida por Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, mostra os últimos raios de Sol sobre o Planalto do Chajnantor, na região do Atacama, no Chile. No planalto encontra-se o telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX), que pode ser visto à esquerda na imagem. É a partir deste local remoto na Terra, a 5000 metros acima do nível do mar, que o APEX estuda o "Universo frio".

O APEX é um telescópio com 12 metros de diâmetro, que observa nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. Os astrónomos que observam com o APEX podem ver fenómenos que seriam invisíveis em comprimentos de onda mais curtos. O telescópio permite estudar nuvens moleculares - regiões densas de gás e poeira cósmica onde novas estrelas nascem - que são escuras, uma vez que se encontram obscurecidas pela poeira, na radiação visível ou infravermelha, mas que brilham intensamente a estes comprimentos de onda relativamente longos. Os astrónomos utilizam esta radiação para estudar as condições químicas e físicas nestas nuvens. Esta janela de comprimentos de onda é também ideal para estudar algumas das mais primordiais e distantes galáxias do Universo.

Desde que começou as operações em 2005, que o APEX tem produzido muitos resultados científicos importantes. Por exemplo, o APEX juntou-se ao Very Large Telescope do ESO para detectar matéria que está a ser arrancada pelo buraco negro, que se encontra no centro da Via Láctea (eso0841), um resultado que se encontra entre as 10 Principais Descobertas Astronómicas do ESO.

Podemos ver grupos de penitentes brancos no solo em volta do APEX. Os penitentes são um interessante fenómeno natural, que se observa em regiões de elevada altitude, tipicamente a mais de 4000 metros acima do nível do mar. São finos picos de neve endurecida ou gelo, que apontam na direção do Sol, atingindo alturas que podem ir de alguns centímetros até vários metros.

O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO.

A antena de 12 m do APEX baseia-se numa única antena protótipo construída para outro observatório no Chajnantor, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). O ALMA será uma rede de 54 antenas de 12 metros e 12 antenas de 7 metros, quando estiver completo em 2013. O ESO é o parceiro europeu desta infraestrutura internacional para a astronomia, que é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile.

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22 de Outubro de 2012

Construindo o VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Desde dezembro de 2009 que o Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy (VISTA, Telescópio de Rastreio Visível e Infravermelho) tem estado a mapear o céu austral a partir do Observatório do Paranal do ESO, no Chile. O nosso par de fotografias deste mês mostra o telescópio VISTA durante a construção e como é atualmente.

A imagem histórica, tirada na segunda metade de 2004, mostra o edifício do telescópio a ser construído. Podemos ver o esqueleto da cúpula do telescópio na sua base circular, rodeado pelos andaimes. O VISTA situa-se num pico a cerca de 1500 metros a nordeste do Cerro Paranal, local do Very Large Telescope do ESO. O pico foi nivelado para menos de 5 metros de altura, até aos 2518 metros, criando-se assim um plataforma de 4000 metros quadrados para os trabalhos de construção necessários.

A fotografia atual mostra o telescópio VISTA já construído. O invólucro do telescópio é um edifício com 20 metros de diâmetro, que protege o telescópio do meio ambiente. Duas portas de correr formam a fenda por onde o telescópio observa, e um ecrã de vento pode ser utilizado para fechar parte da fenda sempre que necessário. Portas adicionais na cúpula fornecem ventilação para controlar a circulação do ar durante a noite. Num edifício auxiliar, adjacente à cúpula e visível em primeiro plano, guarda-se equipamento de manutenção e é também onde se situa uma oficina de revestimento, onde é aplicada aos espelhos do telescópio a fina camada refletora de prata.

O VISTA opera nos comprimentos de onda do infravermelho, com uma câmara de 67 milhões de pixeis, que pesa 3 toneladas. O seu enorme espelho, grande campo de visão e detectores infravermelhos muito sensíveis fazem dele o maior telescópio de rastreio do mundo.

O VISTA foi concebido e desenvolvido por um consórcio de 18 universidades do Reino Unido, liderado pelo Queen Mary, Universidade de Londres, e foi uma contribuição "em géneros" ao ESO, que fez parte do acordo de adesão do Reino Unido. A direção do projeto relativamente ao design e construção do telescópio foi feita pelo Science and Technology Facilities Council's UK Astronomy Technology Centre (STFC, UK ATC). 


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15 de Outubro de 2012

De pneu sobresselente cósmico a botão de flor etéreo

A IC 5148 é uma bonita nebulosa planetária situada a cerca de 3000 anos-luz de distância na constelação do Grou. A nebulosa tem um diâmetro de um par de anos-luz e está ainda a crescer, a mais de 50 quilómetros por segundo - uma das nebulosas planetárias com expansão mais rápida conhecida. O termo "nebulosa planetária" surgiu no século XIX, quando as primeiras observações de tais objetos - a partir dos pequenos telescópios disponíveis na altura - mostravam algo parecido a planetas gigantes. Contudo, a verdadeira natureza das nebulosas planetárias é muito diferente.

Quando uma estrela com massa semelhante ou apenas um pouco maior do que a do Sol se aproxima do final da sua vida, as camadas exteriores são lançadas para o espaço. O gás em expansão é iluminado pelo núcleo quente que resta da estrela no centro, formando a nebulosa planetária, que geralmente toma uma forma brilhante e bonita.

Quando observada através de um pequeno telescópio amador, esta nebulosa planetária aparece como um anel de matéria, com a estrela - que irá arrefecer até se tornar uma anã branca - a brilhar no centro do buraco. Esta aparência levou os astrónomos a darem à IC 5148 o nome de Nebulosa do Pneu Sobresselente.

O instrumento EFOSC2 (sigla do inglês para ESO Faint Object Spectrograph and Camera) montado no New Technology Telescope, em La Silla, dá-nos uma visão mais elegante deste objeto. Em vez de se parecer com um pneu sobresselente, a nebulosa assemelha-se a um botão de flor etéreo com as pétalas sobrepostas em camadas. 


8 de Outubro de 2012

Uma VISTA antes do pôr do Sol

O Observatório do Paranal do ESO - situado na região do Atacama, Chile - é principalmente conhecido por albergar o Very Large Telescope (VLT), o emblemático telescópio do ESO. No entanto, desde há alguns anos que o local alberga igualmente dois telescópios de rastreio de vanguarda. Estes novos membros da família Paranal foram concebidos para obter imagens de grandes áreas do céu, rápida e profundamente.

Um deles, o Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy (VISTA), de 4.1 metros, situa-se num pico vizinho, não muito longe do cume do Paranal. É esse telescópio que vemos nesta fotografia tirada a partir do Paranal pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi. O VISTA é o maior telescópio de rastreio do mundo e encontra-se em funcionamento desde dezembro de 2009.

No canto inferior direito da imagem, o edíficio do VISTA aparece em frente do que parece ser uma cadeia montanhosa sem fim, que se estende até ao horizonte. À medida que o sol se põe, as montanhas lançam sombras cada vez maiores, que vão cobrindo lentamente os tons acastanhados que pintam a magnifica paisagem que rodeia o Paranal. Dentro de pouco tempo, o Sol descerá abaixo do horizonte e todos os telescópios no Paranal começarão mais uma noite de observações.

O VISTA é um telescópio de campo largo, concebido para mapear no infravermelho o céu austral com extrema sensibilidade, permitindo assim aos astrónomos detectar objetos extremamente ténues. O objetivo destes rastreios é a criação de grandes catálogos de objetos celestes para estudos estatísticos e identificação de novos alvos que podem ser posteriormente estudados com mais detalhe pelo VLT.

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1 de Outubro de 2012

O cónico e icónico Licancabur de guarda ao Chajnantor

Esta impressionante imagem panorâmica mostra o Planalto do Chajnantor - onde está instalado o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) - com o majestoso vulcão Licancabur como pano de fundo. Com o Licancabur de guarda, uma floresta gelada de penitentes amontoa-se no primeiro plano. Os penitentes são um curioso fenómeno natural, que se observa em regiões de elevada altitude. Consistem em finos picos de neve dura ou gelo, com gumes afiados apontados ao Sol, com alturas que vão de alguns centímetros até vários metros. Pode ler mais sobre os penitentes numa Fotografia da Semana anterior (potw1221).

O Licancabur, a uma altitude de 5920 metros, é o vulcão mais icónico da região de San Pedro de Atacama, Chile. A sua forma cónica faz com que seja facilmente reconhecido mesmo a grandes distâncias. Situa-se na região mais a sul da fronteira entre o Chile e a Bolívia. O vulcão possui na sua cratera um dos lagos mais altos do mundo. O lago tem atraído a atenção de biólogos interessados em estudar como é que organismos microscópicos podem aí sobreviver, uma vez que o ambiente é extremamente inóspito, possuindo intensa radiação ultravioleta, atmosfera fina e temperaturas baixas. As estratégias de sobrevivência da vida microscópica no Lago Licancabur podem até dar-nos uma ideia das possibilidades da existência de vida em Marte numa época primitiva.

Esta fotografia foi tirada, próximo do local onde se encontra instalado o ALMA, por Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

 

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24 de Setembro de 2012

Um duro dia de trabalho pela noite dentro

Geralmente o pôr do Sol é um sinal de que acabou mais um dia de trabalho. As luzes da cidade vão-se acendendo lentamente, à medida que as pessoas regressam a casa, desejosas de um bom serão e uma bela noite de sono. No entanto, este cenário não se aplica aos astrónomos que trabalham num observatório como o Observatório do Paranal do ESO, no Chile. As observações começam assim que o Sol desaparece por baixo do horizonte. Tudo tem que estar pronto antes do escurecer.

Esta fotografia panorâmica mostra o Very Large Telescope do ESO (VLT) tendo como fundo um bonito entardecer no Cerro Paranal. As cúpulas do VLT destacam-se na imagem, à medida que os telescópios no seu interior se preparam para uma noite a estudar o Universo. O VLT é o telescópio óptico mais poderoso e avançado do mundo, composto por quatro telescópios com espelhos primários de 8.2 metros de diâmetro e quatro telescópios auxiliares móveis de 1.8 metros, os quais podem ser vistos no canto esquerdo da imagem.

Os telescópios podem igualmente trabalhar em conjunto como um único telescópio gigante, o Interferómetro do Very Large Telescope (VLTI) do ESO, o qual permite aos astrónomos observar com o maior detalhe possível. Esta configuração só é utilizada num número limitado de noites por ano. Na maior parte do tempo, os telescópios de 8.2 metros são utilizados individualmente.

Nos últimos 13 anos, o VLT teve um grande impacto na astronomia observacional. Com o advento do VLT, a comunidade astronómica europeia inaugurou uma nova era de descobertas, entre as quais se destacam o seguimento das estrelas que orbitam o buraco negro central da Via Láctea e a primeira imagem de um planeta extrasolar, para citar duas das três primeiras Descobertas Astronómicas do Top 10 do ESO.

Os quatro telescópios do VLT têm nomes de objetos celestes na língua Mapuche, que era uma língua nativa antiga dos povos indígenas do Chile e da Argentina. Da esquerda para a direita temos Antu (UT1; o Sol), Kueyen (UT2; a Lua), Melipal (UT3; o Cruzeiro do Sul) e Yepun (UT4; Vénus).

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi. 


17 de Setembro de 2012

O ALMA e um Céu Estrelado - Uma Vista Magnifica

Um céu límpido em qualquer noite é sempre uma maravilha. No entanto, se estivermos no planalto do Chajnantor, a 5000 metros de altitude, nos Andes chilenos, um dos melhores locais à face da Terra para fazer observações astronómicas, a experiência poderá ser verdadeiramente memorável.

Esta panorâmica do Chajnantor mostra as antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sob o fundo do céu nocturno estrelado.

Em primeiro plano podemos ver algumas das antenas do ALMA, trabalhando em conjunto. O planalto aparece-nos encurvado por efeito da lente grande angular utilizada. O ALMA é o telescópio mais poderoso do mundo para estudar o Universo nos comprimentos  de onda milimétricos e submilimétricos. A construção do ALMA estará completa em 2013, quando um total de 66 antenas estiverem operacionais no local. Neste momento, o telescópio encontra-se na sua fase inicial de Observações Científicas Preliminares. Embora ainda não esteja completamente construído, o telescópio está já a produzir resultados extraordinários, ultrapassando já todas as outras redes submilimétricas existentes.

No céu, por cima das antenas, brilham inúmeras estrelas tal qual jóias distantes. Dois outros objetos celestes bastante familiares estão também proeminentes do céu. A Lua, que coroa a imagem, e a Via Láctea que, apesar do luar, podemos distinguir como uma banda difusa estendendo-se ao longo de todo o céu. As regiões escuras no interior desta banda correspondem a zonas onde a radiação de estrelas de fundo é bloqueada pela poeira interestelar.

Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi.
Babak Tafreshi é o fundador e líder do projeto O Mundo à Noite, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais mais bonitos e históricos do planeta sob um fundo nocturno de estrelas, planetas e eventos celestes.

O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

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10 de Setembro de 2012

Um santuário intemporal em Santiago - A Casa de Hóspedes do ESO, Antes e Agora

O ESO faz 50 anos este ano e, para celebrar esta importante data, mostramos momentos do nosso passado. Uma vez por mês, durante todo o ano de 2012, publicamos uma Fotografia da Semana especial de comparação "Antes e Agora", onde mostramos como é que as coisas mudaram ao longo das décadas nos observatórios de La Silla e Paranal, nos gabinetes do ESO em Santiago do Chile e na Sede do ESO em Garching bei München, Alemanha.

Este mês mostramos uma parte do ESO que é praticamente intemporal. Depois de um longo voo intercontinental para Santiago, ou dos turnos de noite duma campanha de observação nos telescópios, o que podia ser melhor do que um lugar confortável no qual possamos recuperar e repousar antes da próxima parte da viagem? Desde os primeiros dias da Organização, a Casa de Hóspedes do ESO, em Santiago, forneceu exatamente isso aos visitantes dos observatórios no Chile. A nossa fotografia Antes e Agora deste mês mostra a sala da casa de hóspedes em 1996 e atualmente.

A casa de hóspedes é uma casa grande situada numa parte calma da capital chilena. Entre o pessoal do ESO e astrónomos visitantes, tem a fama de ser um sítio calmo e convidativo para parar na longa viagem entre a Europa e os locais remotos onde se encontram os observatórios. Quase todos os astrónomos europeus que visitam La Silla, o Paranal ou o Chajnantor passam por aqui. Na casa de hóspedes podem repousar da viagem, conversar com outros colegas astrónomos, preparar a campanha de observação e - para os que vêm pela primeira vez - talvez vislumbrar o seu primeiro céu nocturno no hemisfério sul.

Decidiu-se logo em 1964, com a atividade do ESO em Santiago a aumentar, adquirir um local própria na cidade, de modo a que o ESO não tivesse que depender de hotéis. A compra da casa de hóspedes completou-se em março de 1965, tendo o local sido originalmente utilizado como gabinete administrativo e como alojamento para visitantes. No entanto, no início da década de 1970 os gabinetes oficiais do ESO foram deslocados para um novo edifício em Vitacura, uns quantos quilómetros para fora da cidade, permitindo assim que a casa de hóspedes fosse utilizada exclusivamente para o conforto e conveniência dos astrónomos e outro pessoal, cansados da viagem.

Como pode ser visto pelas duas fotografias, a casa de hóspedes não mudou muito ao longo dos anos. Temos agora disponível internet sem fios e uma máquina de café mais moderna, mas a casa de hóspedes permanece um santuário calmo e relaxante: o local perfeito para descomprimir e preparar as fatigantes mas excitantes noites de observação e talvez a próxima grande descoberta. 

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3 de Setembro de 2012

Uma superbolha surpreendente

Esta nova imagem colorida mostra a região de formação estelar LHA 120-N44 [1] na Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia satélite da Via Láctea. Esta imagem combina dados no visível do telescópio MPG/ESO de 2.2 metros, instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, com dados no infravermelho e nos raios X obtidos com observatórios espaciais situados em órbita da Terra.

No centro desta região muito rica em gás, poeira e estrelas jovens situa-se o enxame estelar NGC 1929. As suas estrelas de elevada massa emitem radiação intensa, expelem matéria a altas velocidades sob a forma de ventos estelares e correm ao longo das suas curtas mas brilhantes vidas, explodindo no final como supernovas. Os ventos e as ondas de choque das supernovas esculpem uma enorme cavidade, chamada uma superbolha, no gás circundante.

Observações com o Observatório de Raios X da NASA, o Chandra (a azul na imagem) revelam regiões quentes criadas por estes ventos e choques, enquanto os dados infravermelhos do Telescópio Espacial Spitzer, da NASA (a vermelho), delineiam as zonas onde se encontram a poeira e o gás mais frio. Os dados no visível do telescópio MPG/ESO de 2.2 metros (a amarelo) completam a imagem, mostrando as estrelas quentes jovens propriamente ditas, assim como as brilhantes nuvens de gás e poeira que as rodeiam.

Combinando dados da região a diferentes comprimentos de onda permitiu aos astrónomos resolver um mistério: porque é que a N44, e outras superbolhas semelhantes, emitem raios X tão intensos? A resposta parece residir no facto de existirem duas fontes extra de emissão de raios X brilhantes: as ondas de choque das supernovas que atingem as paredes das cavidades e a matéria quente que se evapora das paredes das cavidades. Esta emissão de raios X vinda da periferia da superbolha é claramente visível na imagem. 

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Notas

[1] A designação deste objeto indica que foi incluído no catálogo de estrelas e nebulosas com emissão H-alfa nas Nuvens de Magalhães, compilado e publicado em 1956 pelo astrónomo-astronauta americano Karl Henize (1926-1993). A letra "N" indica que é uma nebulosa. O objeto é conhecido mais simplesmente como N44. 


27 de Agosto de 2012

A noite chega ao Paranal

Imagine que acabou de ver um pôr do sol magnífico do cimo do Cerro Paranal. À medida que o deserto do Atacama desaparece silenciosamente na noite, o Very Large Telescope do ESO (VLT) abre os seus poderosos olhos ao Universo. Com este espectacular panorama de 360 graus, podemos imaginar o que veríamos se nos encontrássemos no local, perto da limite sul da plataforma do VLT.

Em primeiro plano, o quarto dos Telescópios Auxiliares do VLT (sigla do inglês AT4) está a abrir. À esquerda, o Sol já se pôs sob o oceano Pacífico - coberto de nuvens abaixo da altitude do Paranal, como de costume. Ao longo da plataforma, os outros três Telescópios Auxiliares podem ser vistos em frente aos enormes edifícios dos quatro telescópios de 8.2 metros do VLT. Finalmente, a Residencia e as outras infraestruturas do campo de base também se avistam a curta distância, próximo do canto direito da imagem.

Quando a noite começa, imagine que fica imerso num silêncio absoluto, dificilmente interrompido pelo vento ou algum movimento subtil destas máquinas gigantes. É difícil de acreditar que uma intensa actividade se processa no Edifício de Controlo do VLT, situado no declive da montanha, mesmo por baixo do nível da plataforma, em direção ao pôr do Sol. Aqui os astrónomos e os operadores de telescópios começam as primeiras observações da noite.

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20 de Agosto de 2012

Estrela guia laser varre o céu estrelado

Um poderoso raio laser do Very Large Telescope (VLT) do ESO pinta o céu nocturno sobre o deserto chileno do Atacama nesta bela imagem obtida por Julien Girard. A rotação da Terra durante os 30 minutos da exposição - e o movimento que o laser executa para compensar este efeito - são a razão para o raio aparecer alargado. É também por isso que as estrelas se esticam em traços curvos, revelando subtis diferenças de cor.

O laser é utilizado para criar um ponto de luz - uma estrela artificial - ao fazer brilhar átomos de sódio que se encontram a 90 quilómetros de altitude na atmosfera terrestre. As medições desta chamada estrela guia são usadas para corrigir as imagens astronómicas que aparecem desfocadas devido ao efeito de distorção da atmosfera - uma técnica conhecida como óptica adaptiva. Embora se utilizem estrelas brilhantes verdadeiras para a óptica adaptativa, uma estrela guia laser pode ser colocada no sítio desejado, o que significa que a óptica adaptativa pode ser usada para alvos em todo o céu.

As quatro grandes cúpulas dos telescópios de 8.2 metros do VLT podem ser vistas na imagem, com o mais pequeno VLT Survey Telescope (VST) no fundo. Julien é um astrónomo do ESO que trabalha no Chile, no VLT. Na noite em que tirou esta fotografia, estava a trabalhar como astrónomo de suporte no telescópio mais à direita e aproveitou a oportunidade para colocar a sua máquina fotográfica num tripé, antes de voltar à sala de controlo para fazer as observações.

Os movimentos das cúpulas dos telescópios durante a longa exposição também aparecem desfocados e podemos igualmente observar pequenos traços de luz, feitos por pessoas que atravessam a plataforma entre os telescópios.

Julien submeteu esta fotografia no grupo Flick Your ESO Pictures. O grupo Flick é visto regularmente e as melhores fotografias são selecionadas para a nossa popular série A Fotografia da Semana, ou para a nossa galeria. Em 2012 e no âmbito do 50º aniversário do ESO, também aceitamos de bom grado as vossas fotografias históricas relacionadas com o ESO.

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