eso1001pt — Nota de Imprensa Institucional

Apertando o laço ao ALMA

Três antenas trabalhando em uníssono abrem um novo ano brilhante para um observatório revolucionário

4 de Janeiro de 2010

O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) passou uma importante fase de desenvolvimento, fase essa crucial para que se consigam imagens de alta qualidade, as quais serão a imagem de marca deste instrumento revolucionário em astronomia. Astrónomos e engenheiros conseguiram, pela primeira vez, unir com sucesso três das antenas do observatório, no local de observação, a 5000 metros de altitude, no norte do Chile. Trabalhando em uníssono, as três antenas abrem caminho para imagens do Universo frio com uma resolução sem precedentes, fornecendo assim o elo perdido necessário para corrigir erros que aparecem apenas quando duas antenas são utilizadas.

No dia 20 de Novembro de 2009 a terceira antena do Observatório ALMA foi instalada no Local de Operações da Rede, o “sítio alto” do Observatório, no planalto do Chajnantor, a uma altitude de 5000 metros nos Andes Chilenos. Posteriormente, e após uma série de testes técnicos, astrónomos e engenheiros observaram os primeiros sinais vindos de uma fonte astronómica, com as três antenas, de 12 metros de diâmetro cada uma, ligadas entre si. Está-se agora a trabalhar intensamente para obter a estabilidade e funcionamento completo do sistema.

“O primeiro sinal, obtido em Outubro, utilizando apenas duas antenas, pode comparar-se ao primeiro balbuciar de um bebé”, diz Leonardo Testi, o cientista europeu responsável pelo projecto ALMA no ESO. “Observar com uma terceira antena representa o momento em que o bebé diz a sua primeira palavra com significado - ainda não uma frase completa, mas já bastante excitante!  A ligação entre as três antenas é, na realidade, o primeiro passo em direcção ao objectivo de conseguirmos imagens precisas e extremamente nítidas nos comprimentos de onda submilimétricos.”

A ligação bem sucedida entre as três antenas era um teste chave do sistema electrónico e de software, que está agora a ser instalado no ALMA, e o seu sucesso antecipa as futuras capacidades do observatório. Quando estiver completo, o ALMA terá, pelo menos, 66 antenas de alta tecnologia a operar em conjunto como um “interferómetro”, trabalhando como um único, imenso telescópio, que perscruta o céu na região do milímetro e submilímetro do espectro electromagnético. A combinação dos sinais recebidos pelas antenas individuais é crucial para se conseguir imagens de qualidade sem precedentes, de fontes astronómicas, nos comprimentos de onda pretendidos.

A ligação entre as três antenas é um passo crítico para o funcionamento do observatório como um interferómetro. As primeiras medições com sucesso, utilizando apenas duas antenas, foram obtidas em Outubro de 2009 (ver Anúncio do ESO) e demonstraram o excelente desempenho dos instrumentos. No entanto, a adição da terceira antena é um passo de extrema importância no futuro do observatório. Este marco principal do projecto é conhecido como “encerramento de fase” e fornece uma importante verificação independente da qualidade do interferómetro.

“O uso de uma rede de três (ou mais) antenas num interferómetro aumenta drasticamente o seu desempenho relativamente ao uso de um simples par de antenas,” explica Wolfgang Wild, o director europeu do projecto ALMA. “Permite aos astrónomos terem controlo sobre vários fenómenos passíveis de degradar a qualidade da imagem, devido ao instrumento ou à turbulência atmosférica. Comparando os sinais recebidos simultaneamente pelas três antenas individuais, estes efeitos indesejáveis podem ser cancelados - o que é completamente impossível quando se usam apenas duas antenas.”

Para atingir este importante objectivo, os astrónomos observaram a radiação vinda de uma fonte extragaláctica distante, o quasar “B1921-293”, bem conhecido pela sua emissão intensa a grandes comprimentos de onda, incluindo a região milimétrica e submilimétrica. A estabilidade do sinal medido para este objecto mostra que as antenas se encontram a funcionar extremamente bem.

Várias antenas adicionais serão instaladas no planalto do Chajnantor durante este ano, permitindo aos astrónomos começar a produzir resultados científicos preliminares com o sistema ALMA por volta de 2011. Depois desta data, o interferómetro continuará a crescer de maneira sistemática até atingir o seu completo potencial científico com, pelo menos, 66 antenas.

ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile.

Informações adicionais

O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. O ESO é o parceiro europeu no ALMA. O ALMA, o maior projecto astronómico existente, é um telescópio revolucionário, composto por uma rede 66 antenas gigantes de 12 e 7 metros de diâmetro, que faz observações nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro. O ALMA começará as observações científicas em 2011.

O ESO, o Observatório do Sul Europeu, é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO é  financiado por 14 países: Áustria, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Itália, Holanda, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope, o observatório astronómico, no visível, mais avançado do mundo. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio  ALMA, o maior projecto astronómico que existe actualmente. O ESO encontra-se a planear o European Extremely Large Telescope, E-ELT, um telescópio de 42 metros que observará na banda do visível e próximo infravermelho. O E-ELT será “o maior olho no céu do mundo”.

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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1001, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contacto local com os meios de comunicação social, em ligação com os desenvolvimentos do ESO. A representante do nodo português é Margarida Serote.

Sobre a Nota de Imprensa

Imagens

 Three ALMA antennas working in unison
Three ALMA antennas working in unison
apenas em inglês

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