Nota de Imprensa
Os hábitos alimentares das galáxias adolescentes
14 de Março de 2012
Novas observações obtidas com o Very Large Telescope do ESO estão a contribuir de forma significativa para a compreensão de como crescem as galáxias adolescentes. No maior rastreio alguma vez efectuado sobre estes objetos, os astrónomos descobriram que as galáxias alteram os seus hábitos alimentares durante os anos da adolescência - o período que vai desde os 3 aos 5 mil milhões de anos depois do Big Bang. No início desta fase, correntes de gás eram o lanche preferido, enquanto que mais tarde as galáxias cresceram principalmente devido a canibalismo de outras galáxias menores.
Os astrónomos sabem desde já algum tempo que as galáxias primordiais são muito menores que as impressionantes galáxias espirais ou elípticas que ocupam atualmente o Universo. Durante o tempo de vida do cosmos as galáxias têm vindo a aumentar de peso mas a sua comida e hábitos alimentares, permanecem ainda um mistério. Um novo rastreio feito a galáxias cuidadosamente seleccionadas, focou-se nos anos da sua adolescência - aproximadamente o período entre os 3 e os 5 mil milhões de anos depois do Big Bang.
Utilizando os instrumentos de vanguarda do Very Large Telescope do ESO, uma equipa internacional está a descobrir o que realmente aconteceu. Em mais de cem horas de observações, a equipa juntou a maior quantidade de dados detalhados sobre galáxias ricas em gás que se encontram nesta fase inicial do seu desenvolvimento [1].
“Existem dois modelos de crescimento de galáxias em competição: eventos de fusão violentos quando galáxias maiores comem galáxias mais pequenas, ou alternativamente um fluxo de gás mais suave e contínuo ingerido pelas galáxias. Ambos levam à formação de imensas estrelas novas,” explica Thierry Contini (IRAP, Toulouse, França), que lidera este trabalho.
Os novos resultados apontam para o facto de existir uma mudança na evolução cósmica das galáxias, quando o Universo tinha entre 3 e 5 mil milhões de anos. O crescimento devido a correntes contínuas de gás (eso1040) parece ter sido bastante importante nas galáxias quando o Universo era muito jovem, enquanto que as fusões se tornaram mais importantes posteriormente.
“Para compreender como é que as galáxias cresceram e se desenvolveram precisamos de as observar com o maior número de detalhes possível. O instrumento SINFONI instalado no VLT do ESO é uma das ferramentas mais poderosas existentes no mundo para dissecar galáxias jovens e distantes. O seu papel é tão importante para nós como o microscópio o é para o biólogo,” acrescenta Thierry Contini.
As galáxias distantes, como as do rastreio, são apenas pequenos pontos no céu muito ténues, mas a alta qualidade de imagem do VLT juntamente com o instrumento SINFONI [2] permite aos astrónomos fazer mapas de como as diferentes partes das galáxias se deslocam e descobrir do que são constituídas. Tivemos algumas surpresas.
“Para mim, a maior surpresa foi a descoberta de muitas galáxias sem rotação do gás. Estas galáxias não são observadas no Universo próximo e nenhuma das teorias atuais prevê tais objetos,” diz Benoît Epinat, outro membro da equipa.
“Também não esperávamos que tantas das galáxias jovens do rastreio tivessem os elementos mais pesados concentrados nas regiões periféricas - este facto é exatamente o contrário do observado nas galáxias atuais,” acrescenta Thierry Contini.
A equipa começa agora a explorar a enorme quantidade de dados observados. Planeiam igualmente observar as galáxias com instrumentos que serão futuramente instalados no VLT, assim como pensam utilizar o ALMA para estudar o gás frio nestas galáxias. Olhando ainda mais longe para o futuro, o European Extremely Large Telescope estará idealmente equipado para estender este tipo de estudos a um Universo ainda mais primordial.
Notas
[1] O nome do rastreio é MASSIV, sigla do inglês para Mass Assembly Survey with SINFONI in VVDS. VVDS (sigla do inglês para VIMOS- VLT Deep Survey) é um rastreio profundo feito pelo instrumento VIMOS montado no VLT. O VIMOS (sigla do inglês, VIsible imaging Multi-Object Spectrograph) é uma câmara e espectrógrafo montado no VLT que foi utilizado para encontrar as galáxias utilizadas no trabalho MASSIV e medir as suas distâncias e outras propriedades.
[2] O SINFONI (sigla do inglês Spectrograph for INtegral Field Observations in the Near Infrared) é um espectrógrafo infravermelho (1.1 - 2.45 µm) de campo integral que utiliza óptica adaptativa para melhorar a qualidade da sua imagem. Encontra-se montado no VLT e foi utilizado para fazer o rastreio MASSIV.
Informações adicionais
Este trabalho foi apresentado em quatro artigos científicos que descrevem o rastreio MASSIV e que serão publicados na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.
A equipa é composta por T. Contini (Institut de Recherche en Astrophysique et Planétologie [IRAP], CNRS & Université de Toulouse, França), B. Epinat (Laboratoire d'Astrophysique de Marseille, CNRS & Université d'Aix-Marseille, França [LAM]), D. Vergani (Istituto di Astrofisica Spaziale e Fisica Cosmica-INAF, Bologna, Itália [IASF BO-INAF]), J. Queyrel (IRAP), L. Tasca (LAM), B. Garilli (Istituto di Astrofisica Spaziale e Fisica Cosmica-INAF, Milão, Itália [IASF MI-INAF]), O. Le Fevre (LAM), M. Kissler-Patig (ESO), P. Amram (LAM), J. Moultaka (IRAP), L. Paioro (IASF MI-INAF), L. Tresse (LAM), C. López-Sanjuan (LAM), E. Perez-Montero (Instituto de Astrofísica de Andalucía, Granada, Espanha), C. Divoy (IRAP) e V. Perret (LAM).
O ano de 2012 marca o quinquagésimo aniversário da fundação do Observatório Europeu do Sul (ESO). O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO é financiado por 15 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope, o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio ALMA, o maior projeto astronómico que existe atualmente. O ESO encontra-se a planear o European Extremely Large Telescope, E-ELT, um telescópio da classe dos 40 metros que observará na banda do visível e próximo infravermelho. O E-ELT será “o maior olho no céu do mundo”.
Links
- Artigos científicos no A&A: Artigo I, Artigo II, Artigo III, Artigo IV
- Página web do rastreio MASSIV
- Fotografias do VLT
Contactos
Thierry Contini
Institut de Recherche en Astrophysique et Planétologie, CNRS & Université de Toulouse
Toulouse, France
Tel: +33 561 332 814
Telm: +33 662 641 268
Email: Thierry.Contini@irap.omp.eu
Richard Hook
ESO, La Silla, Paranal, E-ELT and Survey Telescopes Public Information Officer
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Margarida Serote (Contacto de imprensa em Portugal)
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e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço,
Tel: +351 964951692
Email: eson-portugal@eso.org
Sobre a Nota de Imprensa
Nº da Notícia: | eso1212pt |
Nome: | Galaxies, VIMOS-VLT Deep Survey (VVDS) |
Tipo: | Early Universe : Cosmology : Morphology : Deep Field |
Facility: | Very Large Telescope |
Instrumentos: | SINFONI, VIMOS |
Science data: | 2012A&A...546A.118V 2012A&A...539A..93Q 2012A&A...539A..92E 2012A&A...539A..91C |
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